\ Afinal: treinar em jejum queima mais gordura?

Você costuma treinar em jejum?! Algumas pessoas treinam em jejum, com o intuito de elevar a queima de gordura ou porque treinam cedo e não gostam de tomar café da manhã assim que acordam. O nosso médico esportivo Dr.Rodolfo Ferrari irá nos esclarecer bem a respeito desse assunto.

 Em tese, acordar de manhã e ir para o treino aeróbio direto, sem café da manhã e de estômago vazio, o corpo seria obrigado a usar gordura em vez de açúcar para manter os níveis de energia. Realmente, durante o jejum, a gordura é disponibilizada para a queima e fornecimento de energia. Contudo, este processo é limitado.

malhar em jejum

 Desse modo que, a partir de certo momento (o que depende da modalidade, intensidade e tempo da atividade), o organismo começa a utilizar massa muscular para fornecer energia para a atividade, famoso catabolismo. Um estudo publicado no Strenght and Conditioning Journal diz que quem treina de estômago vazio queima mais músculos do que gordura estocada. A pesquisa foi realizada com um grupo de ciclistas que comiam antes de treinar e outro que praticava exercícios em jejum. Segundo o autor Brad Schoenfeld, que é um fisiculturista avesso a drogas e dá aulas no Lehman College (EUA), o resultado analisado foi que os que treinavam sem nada no estômago tinham cerca de 10% das calorias queimadas vindas de proteínas, ou seja, utilizadas da massa muscular.

 Isso ocorre porque quando a pessoa está muito tempo em jejum, há liberação do hormônio cortisol, que inibe a queima de gordura e quando se pratica exercício de estômago vazio, o corpo acaba usando a massa muscular como energia.

treinar em jejum

Brad Schoenfeld também diz que o metabolismo de gorduras não deve ser medido em questão de horas, como estudos anteriores fizeram, e sim de dias. Ou seja, pode até ser que, durante o treino, o organismo “queime” mais gorduras, mas não necessariamente ele deixará essa eliminação por menos nos dias subsequentes.

Outra questão levantada por Brad Schoenfeld é um engano entre lipólise e oxidação de gorduras. Schoenfeld explica que, durante exercícios de intensidade moderada a alta, ocorre uma maior quebra de moléculas de gordura, mas elas não são todas oxidadas. E o que acontece com essas moléculas de gordura quebradas e não oxidadas é que elas voltam a ser depositadas no corpo. Além disso, metade dessas moléculas, na verdade, provém do próprio músculo, de regiões que não interferem na silhueta.

Para Schoenfeld, comer antes do exercício traz muito mais vantagens do que não comer. “Estudos mostram que uma quantidade bem maior de calorias é queimada depois do exercício em quem se alimenta antes”, diz.

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Esses resultados contrastam com os de um estudo publicado por uma equipe de pesquisadores da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, segundo o qual o exercício em jejum não só queima mais gordura como também promove adaptações metabólicas que melhoram o desempenho em esportes de endurance. “Nossos dados demonstram claramente que o treino em jejum é mais efetivo para aumentar a capacidade oxidativa do músculo e a degradação de gordura induzida pelo exercício”, diz Karen Von Proeyen, pesquisadora na Bélgica.

Diante de dados conflitantes como esses cada um deve investigar o que funciona melhor no seu caso e observar cuidadosamente. Se você deseja emagrecer, tente treinar uma ou duas vezes por semana em jejum. Se você não se adequar em treinar em jejum, passar mal, ou perder muito rendimento, prefira ingerir os carboidratos de baixo índice glicêmico (IG), que são digeridos mais devagar. Eles vão “liberando” o açúcar para a corrente sanguínea aos poucos, mantendo os níveis mais próximos do normal o tempo todo. Uma alimentação balanceada em carboidratos de baixo IG deixará a glicemia estável, e o corpo poderá investir na gordura.

Portanto, responder se treinar em jejum emagrece é muito relativo, pois de acordo com pesquisas, não existem provas para defender ou não a prática de exercícios físicos em jejum. Algumas pessoas se adaptam melhor a esta situação e outras para garantir o bem estar durante os treinos precisam se alimentar, como eu. E, se o jejum limitar a intensidade e a duração do exercício, o gasto calórico nessa sessão de treino será menor e, por isso, o jejum não terá sido válido. Mais uma vez, faz-se aqui valer o principio da individualidade, por isto que dentro desta área da medicina esportiva sempre aparecem mitos que podem ser quebrados posteriormente.

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Ludmila Lacorte
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